4 de agosto de 2015

JÁ LEU Eu, Robô de Isaac Asimov?

"Eu, Robô" é um dos maiores clássicos da ficção científica e é nesse livro que foram criadas as Três Leis da Robótica, leis que devem ser implantadas em todos os "cérebros positrônicos" de qualquer robô, a primeira vez que ouvi falar delas foram no filme com o mesmo nome, mas que apenas se baseia em algumas coisas do livro, as leis são:

1ª Lei: Um robô não pode ferir um ser humano ou, por inação, permitir que um ser humano sofra algum mal.
2ª Lei: Um robô deve obedecer as ordens que lhe sejam dadas por seres humanos exceto nos casos em que tais ordens entrem em conflito com a Primeira Lei.
3ª Lei: Um robô deve proteger sua própria existência desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira ou Segunda Leis.

Bem provável que você também já tenha ouvido falar dessas leis, bom, pelo menos se você assistiu o filme lançado em 2004 que leva o mesmo nome do livro e foi protagonizado pelo ator Will Smith, apesar de ser considerado uma adaptação, eu agora falo que o filme é apenas baseado no livro, pois usa apenas alguns elementos do livro, tais como as três leis da robótica e o nome de alguns personagens, pois toda a história apresentada no filme não tem no livro, em nenhum dos 9 contos que fazem parte dele. Mesmo sendo um bom filme, que aborda de uma forma diferente de apresentar o que se discute no livro, pode ser que os fãs da obra original achem o filme um desrespeito, mas como eu disse, é um bom filme que apesar de não seguir o livro, mas uma pena que o filme não seguiu o mesmo formato dos contos, acho que teria dado um filme muito bom.


Isaac Asimov
Antes de falar do livro, um pequeno resumo de quem foi Isaac Asimov (1919 - 1992) que é considerado um dos mestres da Ficção Científica e, junto com Robert A. Heinlein e Arthur C. Clarke, foi considerado um dos "três grandes" da ficção científica. A obra mais famosa de Asimov é a série da Fundação, também conhecida como Trilogia da Fundação, que faz parte da série do Império Galáctico e que logo combinou com sua outra grande série dos Robots. Também escreveu obras de mistério e fantasia, assim como uma grande quantidade de não-ficção. No total, escreveu ou editou mais de 500 volumes, aproximadamente 90 000 cartas ou postais, e tem obras em cada categoria importante do sistema de classificação bibliográfica de Dewey, exceto em filosofia.

Vamos lá, "Eu, Robô" como já disse, não é uma única história como a grande maioria dos livros, é na verdade uma reunião dos primeiros textos de Asimov sobre robôs, publicados entre 1940 e 1950. São nove contos que relatam a evolução dos autômatos através do tempo, e que contêm em suas páginas, pela primeira vez, as célebres Três Leis da Robótica, que acabou se tornando um marco na literatura de ficção cientifica e mudou como os robôs eram vistos nas histórias do gênero.

A história começa a ser contata pela Doutora Susan Calvin, a robopsicóloga chefe da US Robôs e Homens Mecânicos, no auge dos seus 75 anos de idade e prestes a se aposentar do cargo que ocupou por mais de 40 anos, antes disso ela resolve dar uma entrevista para uma revista de negócios (o entrevistador nunca é identificado) para contar um pouco da sua carreira e do ponto de vista dela como foi a evolução dos robôs no mundo.
1° - "Robbie": A história do primeiro robô doméstico e que foi criado para ser um robô babá mudo e de seu relacionamento com a menina Gloria. Detalhe: a historia se passa em 1998.
2° - "Brincando de Pique": onde Asimov nos apresenta a famosa dupla Gregory Powell e Mike Donavan, que viriam a protagonizar várias historias da coletânea. Nesse conto, que tem Mercúrio de 2015 como cenário, conhecemos o robô Speedy (SPD-13), que teve a Terceira Lei reforçada em seu cérebro positrônico, causando consequências inesperadas.
3° - "Razão": outro conto com a dupla Powell e Donovan. Dessa vez nossos heróis estão numa estação espacial de captação de energia solar para envio para a Terra. Um novo modelo de robô, Cutie (QT-1), é levado desmontado para a estação e lá montado para ser testado como controlador de foco do feixe de energia para a Terra. Só que para Cutie, que nunca conhecera a Terra, o mundo era só a estação. Powell e Donovan têm que lidar com o problema enquanto uma perigosa tempestade de elétrons se aproxima e o robô se tornou um fanático religioso que acredita que o motor na estação é o verdadeiro Criador e que não existe nada além da estação espacial.
4° - "Pegue aquele coelho!": a terceira aventura da dupla Powell e Donovan, onde conhecem Dave (DV-5), um robô minerador que controla um grupo de robôs interligados, como se ele fosse um polvo e seus tentáculos, Dave seria o corpo e os outros robôs os tentáculos. Dave apresenta comportamento estranho, quase neurótico, quando está sozinho com seus robôs-tentáculo, sem a presença de humanos. Powell e Donovan têm que descobrir o motivo disto estar acontecendo.
5° - "Mentiroso!": Para muitos, o melhor conto do livro. Nesse conto, que se passa em 2021, conhecemos com mais profundidade a famosa robopsicóloga Dra. Susan Calvin, que tem que descobrir como e por que foi criado inadvertidamente Herbie (RB-34), um robô capaz de ler pensamentos. Asimov desenvolve bem o personagem de Susan nesse conto.
6° - "Pequeno Robô perdido": outro conto com a Dra. Calvin, onde conhecemos Nestor (NS-2), um robô que teve a Primeira Lei enfraquecida em seu cérebro positrônico, causando, como sempre, consequências não previstas, inclusive o fato inédito de robôs mentindo para humanos. Susan Calvin tem que resolver o problema.
7° - "Fuga!": uma aventura conjunta da Dra. Calvin e da dupla Powell e Donovan. Uma empresa concorrente da US Robôs oferece uma proposta irrecusável. O super-computador robótico da US Robôs chamado Cérebro teria que resolver um problema, que causou a quebra do super-computador da empresa concorrente, que poderia ser a chave da propulsão interestelar. Susan Calvin é chamada para descobrir como o Cérebro pode ser usado nesse problema sem risco de sua destruição. E Powell e Donovan têm que fazer o trabalho sujo. 
8° - "Prova": que se passa em 2032, também é protagonizado por Susan Calvin. Nesse conto vemos como os robôs começam a mudar a vida social, econômica e até politica da Terra. Robôs com fisionomias humanas são quase indistinguíveis de seres humanos. E vistos com desconfiança. Surge a suspeita de que um famoso jovem político é na verdade um robô. Susan Calvin é acionada para descobrir se é ou não. 
9 - "O Conflito Evitável": é o conto que fecha o livro, e se passa no ano de 2052. Nele descobrimos que as chamadas Máquinas, super-computadores robóticos, são quem governam na prática a humanidade. Grupos fundamentalistas são contra as Máquinas, mas elas aparentemente estão levando a humanidade a uma Idade de Ouro em termos de padrão de vida e de solução de conflitos entre os humanos. Aparentemente as Máquinas estão agora cometendo erros, coisa que antes não acontecia, sendo que esta situação poderia fortalecer os grupos anti-Máquinas. Susan Calvin é chamada pelo Coordenador da Terra para resolver o problema. Como sempre, descobrimos que as Três Leis da Robótica estão envolvidas no mistério, cuja solução nos leva a fechar a última página no livro e ficar meditando sobre o que acabamos de ler.

Como podem ver, o livro é muito diferente do filme, não que a história do filme seja ruim, mas creio eu que se tivessem feito uma adaptação dessas noves histórias teria sido um dos melhores filmes de ficção-cientifica da história do cinema (nossa, será? será? pode ser que sim, poder ser que não em... rsrsrs), olhando pelo o que fizeram no filme que apenas se baseia nas Três Leis, daria para fazer quase todos os contos, mas como é cinema e não conseguiriam um nome de peso (como era na época) igual do Will Smith que topasse não ser o protagonista, creio até que pelo que dizem do Smith, nem ele teria topado fazer o filme se não tivesse sido da forma que foi feito. Como nesses contos não possui uma figura humana como o protagonista, mas sim como coadjuvantes dela, tendo os robôs e as três leis como protagonistas, não acho que conseguiria um nome de peso para atrair o grande público para os cinemas.

Mas seria incrível ver a história da criação do motor de propulsão interestelar, ou a história do robô que lê mentes, ou até mesmo ver como adaptariam os dilemas e os questionamentos levantados em "Prova" e "O Conflito Evitável", o mais legal é poder ver como as pessoas pensavam que seria o futuro mais de 50 anos atrás, que 2015 já estaríamos colonizando os planetas do nosso sistema solar e que desde meados dos anos de 1990 já teríamos criado uma inteligência artificial altamente desenvolvida, capaz de executar diversas atividades que normalmente seriam executadas por uma pessoa. Legal também ver como Asimov imaginava como seria o nosso mundo daqui 40 anos, que não seriamos mais um monte de nações independentes e que estão sempre discordando uma da outra, mas sim um mundo unido, que estaríamos melhor do que estamos agora e fazendo exploração espacial em larga escala, afinal, a grande maioria dos filmes e livros que trata do futuro, acaba sempre representando o nosso futuro como algo ruim, algo como visto em Mad Max, Matrix, Exterminador do Futuro, entre tantos outros que só vem o nosso futuro como um grande inferno.

Para finalizar, se você gosta de literatura de qualidade, que seja muito bem escrita, criativa e que ainda te faz pensar em algo melhor que tudo que temos por ai hoje em dia, não deixe de comprar esse grande clássico da ficção-cientifica. Só para informar a editora Aleph é quem relançou esse clássico no final do ano passado.

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